Será mesmo que os jovens não querem mais ter carros?

Por Claudia Woods, CEO da Webmotors

É cada vez mais comum para algumas pessoas a ideia de que os carros deixarão de ser objeto de desejo das pessoas no futuro, especialmente os mais jovens que vivem nos grandes centros. Mas será que essa ideia faz sentido? Para quem acompanha de perto o mercado de carros, a evolução da indústria automotiva e as demandas de mobilidade da sociedade, ainda não existe uma unanimidade sobre como será o carro utilizado pelas futuras gerações. O que é possível afirmar é que, independente da geração, as pessoas continuarão a ter a necessidade de se deslocar do ponto “A” ao “B” e que, neste trajeto, o automóvel ainda terá muita importância.

Uma pesquisa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) divulgada em novembro mostra que apenas 3% das pessoas entendem que o automóvel será substituído por outras formas de mobilidade. Somado a isso, outro ponto interessante é que, entre os jovens da geração Z (até 25 anos), embora só 35% estejam habilitados a conduzir um carro, 91% do público restante têm interesse de se habilitar.

Reforçando esses dados, uma pesquisa realizada pelo Webmotors Autoinsights, aponta uma mudança na idade média que as gerações tiram suas habilitações. A faixas etárias de 30 a 49 anos e a de 50 ou mais apontam que a idade média que tiraram carta foi aos 23 anos. Já a geração mais jovem, de 18 a 29 anos, tirou a habilitação com 19 anos, em média. Isso mostra que os jovens têm muito interesse nos carros e que, apesar de uma oferta variada de opções de transporte ser benéfica para a vida em sociedade, cada um dos tipos de ferramentas para deslocamento tem a sua função para atender as demandas das pessoas, que são diferentes e que tem necessidades das mais variadas.

Outro dado importante proveniente da pesquisa é que as pessoas estão demorando mais para ter o carro próprio: 90% dos consumidores na faixa dos 50 anos ou mais, afirmam que possuem carro próprio, seguido por 83% das pessoas na faixa dos 30 aos 49 anos. Já os mais jovens, entre 18 e 29 anos, apenas 45% afirma ter carro próprio.

Em meio a tudo isso, as montadoras estão atentas para oferecer opções alinhadas às necessidades das pessoas, de todas as gerações, desde os mais jovens que, em sua maioria, buscam carros mais acessíveis, até as pessoas que já têm uma estrutura financeira e optam por modelos mais sofisticados. O levantamento realizado pelo Webmotors Autoinsights também indica que os jovens dão preferência a itens essenciais e durabilidade, enquanto os mais experientes não deixam de lado os itens de conforto, como ar-condicionado, direção hidráulica e trio elétrico (travas, vidros e retrovisor).

Essa realidade mostra que a indústria oferece atualmente opções para cada tipo de motorista, além de modelos para todos os bolsos. E o mercado tem explorado muito bem o desejo das pessoas, independente da geração. Exemplo disso são os veículos que mexem com o imaginário dos consumidores. Nas décadas de 1980 e 90, por exemplo, existiam poucos carros que atraíam os jovens brasileiros, como Escort XR, Kadett e Gol GTI, enquanto modelos como Opala, Del Rey, Santana e Tempra eram as opções preferidas pelas famílias. Mas, hoje, é possível dizer que boa parte das pessoas não sabem mais o que desejam, pois são muitas as opções, todas de alta qualidade.

Para acalorar ainda mais o debate e mostrar que a ideia de que os carros deixarão de ser objeto de desejo das pessoas no futuro, especialmente os jovens, é incerta, um dado curioso chama atenção na pesquisa. O número de pessoas acima de 50 anos que andam de bicicleta é superior aos dos jovens na faixa dos 18 aos 29 anos, deixando o placar em 6% contra 5%, respectivamente. A faixa etária que lidera a locomoção sobre duas rodas é a de 30 a 49 anos, com 10%.

Isso nos faz chegar à conclusão de que quem quer comprar um carro deve se questionar sobre a necessidade do veículo. Invariavelmente, o carro que responderá é aquele que atende às necessidades de funcionalidade, lifestyle e que tem espaço para carregar as coisas que necessita no caminho do ponto “A” ao “B”. Isso mostra mudança de comportamento que tem gerado debates entusiasmados. Com isso, quem ganha são as pessoas, que têm opções variadas e assertivas aos seus desafios de deslocamento.