O carro do futuro (ou já do presente?) será conectado na tomada

Por Claudia Woods, CEO da Webmotors

Como será o carro do futuro? E qual será o seu combustível? Quem passou pelo Salão Internacional do Automóvel de São Paulo este ano percebeu que os carros elétricos são uma tendência forte sobre como será o futuro desta indústria. Como um termômetro do mercado, o evento mostrou mais de 20 modelos entre elétricos e híbridos, de variadas montadoras, além ser o tema de inúmeras palestras sobre a transformação da mobilidade, que falou também sobre os carros autônomos ou conectados.

No mercado de carros e de combustível já é possível dizer que a estrada está sendo pavimentada para os carros elétricos também no Brasil. Levantamento recente feito pelo Webmotors Autoinsights mostra que 87% destas pessoas consideram comprar um carro elétrico e 49% acreditam no potencial destes veículos – e que eles serão mais comuns que os outros tipos no futuro. Esse dado comprova o grande espaço para o crescimento desta tecnologia, pois os híbridos e elétricos representam apenas 0,2% de participação de mercado, com 3.296 modelos vendidos entre os mais de 2 milhões comercializados no País ano passado.

Mas ainda existem algumas barreiras que separam a intenção da consolidação da compra dos carros elétricos no Brasil. A principal delas é o preço. O carro elétrico mais acessível aqui custa em torno de R$ 150 mil e o híbrido pouco mais de R$ 110 mil. Ainda que os principais motivos que levam as pessoas a desejar um elétrico sejam o fato de ser mais amigável ao meio ambiente (49%) e a redução do valor do reabastecimento (30%), ainda há um grande abismo na mudança de mindset para que as pessoas abram mão dos atributos de conforto dos carros e paguem mais por isso. Mas, para estimular a adesão aos elétricos, algumas iniciativas têm ganhado forma. O Rota 2030, por exemplo, sinaliza com a diminuição entre 7% e 20% das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros elétricos, de acordo com a eficiência energética e peso do veículo.

Apesar dos incentivos, é importante ajustar as expectativas sobre a massificação dos elétricos, que não tem ocorrido até nos países com mercados mais maduros e melhor infraestrutura de abastecimento. Aqui, por exemplo, 45% dos entrevistados acreditam que a falta de infraestrutura para esse tipo de combustível é uma barreira para o setor. Para amenizar isso, algumas empresas têm investido em infraestrutura, a exemplo de uma montadora alemã que criou um corredor elétrico com postos de carregamento na rodovia que liga São Paulo e Rio de Janeiro.

Embora já sejam percebidos avanços, é possível dizer que a implementação de um novo modelo elétrico será longa. A indústria aponta para este caminho e espera-se que novos players tragam as suas contribuições para catapultar as inovações. Enquanto isso, a circulação dos elétricos ainda é atípica nas nossas ruas e a transformação vai acontecer não apenas nos modelos, mas nos negócios, envolvendo toda a cadeia. Embora longa, a jornada já começou!